Dois advogados que representam vítimas de violência sexual, Sophie Benayoun e Myriam Guedj, juntamente com outros 70 signatários, apelaram a um maior escrutínio dos abusos sexuais no futebol francês num artigo de opinião publicado pelo Le Monde.

Os autores afirmam que predadores sexuais no futebol francês vitimaram várias centenas de crianças. Descrevem um padrão recorrente de investigações superficiais, casos repetidamente arquivados sem outras diligências, denúncias arquivadas sem o devido tratamento ou cruzamento nacional de dados, supervisão independente insuficiente e deficiências na verificação dos antecedentes de adultos que trabalham com jovens jogadores.

Também acusam as instituições de silenciarem as crianças e isolarem os denunciantes. Os casos envolvendo os antigos treinadores Eric Olhats e Ahmed Gueninèche são apresentados como exemplos de falhas sistémicas mais amplas que afetam o futebol e a sociedade de forma geral.

Os signatários questionam a condução das investigações quando os responsáveis têm ligações aos clubes envolvidos, bem como a ausência de protocolos adequados quando as vítimas são entrevistadas. Também criticam alterações aos regulamentos da Federação Francesa de Futebol após escândalos, argumentando que as reformas reduziram o seu alcance.

O artigo critica especificamente a plataforma de denúncias “J’alerte”, da FFF, alegando que as denúncias podem ser arquivadas sem acompanhamento eficaz, cruzamento nacional de dados ou transmissão sistemática às autoridades judiciais. Os autores também apontam para a ausência de um mapa dos alegados predadores e para deficiências no acompanhamento de reincidentes.

Argumentam que a proteção dos clubes e da reputação da federação foi priorizada em detrimento da proteção das crianças e apelam ao fim imediato destas deficiências institucionais. O texto publicado prossegue para além do excerto disponível mediante acesso reservado a assinantes.

Fontes: Le Monde Sport.