A equipe inglesa de rugby league em cadeira de rodas ofereceu aos torcedores uma fonte de otimismo depois de as seleções masculina e feminina sofrerem eliminações historicamente precoces em suas respectivas campanhas na Copa do Mundo.

Os atuais campeões mundiais iniciaram seu torneio de 2026 na Austrália com uma vitória por 98 a 18 sobre o País de Gales, no Win Entertainment Centre, em Wollongong. A próxima partida será contra os EUA, pelo Grupo A, na terça-feira.

A Inglaterra chegou à final em todas as edições anteriores da Copa do Mundo de rugby league em cadeira de rodas, conquistando os títulos em 2008 e 2021. A equipe atual é liderada por Rob Hawkins, recentemente eleito o melhor jogador da Wheelchair Super League depois de ajudar o Halifax Panthers a vencer a Grand Final.

Hawkins foi fundamental na vitória de estreia, marcando 11 dos 18 tries da Inglaterra. O jogador de 25 anos busca seu segundo título mundial, depois de também ter participado do triunfo inglês de 2022.

O elenco inclui Luis Domingos, ex-jogador internacional de basquete de Portugal que agora representa o Sheffield Eagles e a Inglaterra, e Jack Brown. Brown passou cinco anos e meio na Austrália, onde treinou rugby league em cadeira de rodas enquanto trabalhava como soldador nas minas de Queensland. Depois do torneio, ele deverá assumir o cargo de treinador principal da equipe de cadeira de rodas do Wakefield.

Finlay O'Neill é outro integrante da equipe cuja carreira mudou de rumo após uma lesão. Ele deslocou o joelho aos 16 anos e precisou parar de jogar rugby league convencional, antes de entrar para a equipe de cadeira de rodas do Halifax, três anos atrás. Ele descreveu a descoberta da modalidade em cadeira de rodas como uma bênção.

O rugby league em cadeira de rodas utiliza equipes de cinco jogadores, com seis tackles disponíveis para marcar. Os tackles são feitos retirando uma etiqueta da camisa do portador da bola. Os tries valem quatro pontos, enquanto penalidades e conversões valem dois, com os chutes sendo realizados ao golpear a bola apoiada em um tee. As equipes podem ter em quadra, ao mesmo tempo, até dois jogadores sem deficiência e três jogadores com deficiência.

Ao contrário da modalidade convencional, as principais nações do rugby league em cadeira de rodas estão concentradas na Europa. A França é a principal rival da Inglaterra e esteve nas três últimas finais, vencendo em 2013 e 2017 antes de perder por 28 a 24 para a Inglaterra em Manchester, quatro anos atrás. A Irlanda, terceira colocada no ranking mundial, também começou forte ao derrotar os EUA por 110 a 10.

A anfitriã Austrália montou sua equipe mais forte até agora e abriu sua campanha no Grupo B com uma vitória por 112 a 14 sobre a Nova Zelândia. Os resultados levantaram a possibilidade de a Austrália vencer os torneios masculino, feminino e de cadeira de rodas, disputados simultaneamente, pela primeira vez.

O capitão da Austrália, Bayley McKenna, é o primeiro capitão sem deficiência da equipe. Ele começou a praticar o esporte em 2006 para apoiar seu pai, que ficou paralítico em um acidente. Brown, da Inglaterra, também entrou no rugby league em cadeira de rodas por meio de um familiar com deficiência, seu irmão.

Jogadores sem deficiência ajudam as equipes a manter elencos completos e a despertar interesse, embora sua participação também tenha provocado críticas. McKenna disse que recebeu mensagens abusivas nas redes sociais durante a Copa do Mundo anterior de pessoas que acreditavam que atletas sem deficiência não deveriam praticar o esporte.

A competitiva série de dois jogos entre Austrália e Inglaterra no ano passado sugeriu que o equilíbrio estabelecido entre as principais equipes pode estar mudando. Por enquanto, a enfática vitória de estreia da Inglaterra manteve firmemente vivas suas esperanças de voltar a disputar uma final da Copa do Mundo.

Fontes: BBC Sport.