Alexander Zverev terminará 2026 como o número um mundial do tênis masculino após uma temporada que lhe proporcionou seus dois primeiros títulos de Grand Slam e confirmou sua aguardada ascensão ao mais alto nível.

O jogador de 29 anos tornou-se o homem mais velho em mais de 50 anos a alcançar pela primeira vez o topo do ranking. Suas vitórias no Aberto da França e no US Open foram a base de uma temporada na qual ele também terminou como vice-campeão em Wimbledon.

Zverev já era considerado por muitos o melhor jogador masculino a nunca vencer um torneio do Grand Slam. Antes de 2026, ele já era campeão olímpico, bicampeão do ATP Finals e ex-número dois mundial, tendo chegado a três finais de Grand Slam.

Sua abordagem mudou depois de passar 10 dias com Rafael e Toni Nadal em Mallorca, em julho de 2025. Zverev disse que queria entender a visão deles sobre o tênis e aprender com a experiência de Rafael Nadal de enfrentá-lo ao longo de muitos anos. Ele começou a temporada determinado a bater com mais velocidade, assumir mais riscos e acrescentar variedade às suas trocas de bola.

Ainda houve momentos difíceis, incluindo cãibras durante a final do Aberto da França contra Flavio Cobolli. Desta vez, porém, Zverev manteve a calma no set decisivo, vencendo por 6–1 para conquistar seu primeiro título de major. Mais tarde, ele apresentou seu melhor tênis do ano em Wimbledon, onde perdeu para Jannik Sinner em quatro sets.

Os resultados de Zverev também destacaram o desafio que o espera. Ele perdeu 10 partidas consecutivas para Sinner, enquanto Carlos Alcaraz é outro rival de destaque. Se os três estiverem em condições no início da próxima temporada, Zverev tentará transformar 2027 em uma disputa a três pelos títulos de major.

Seu sucesso contou com o apoio da família. Seu pai, Alex Sr., continuou sendo uma presença regular em seu camarote de treinador, enquanto seu irmão mais velho, Mischa, integrou a equipe depois de se aposentar do tênis profissional. Zverev disse que sua relação com o pai funciona em parte porque eles não passam tempo juntos fora da quadra.

Apesar de suas conquistas, a posição de Zverev como principal jogador do esporte continua sendo controversa. Em 2020, a ex-companheira Olga Sharypova o acusou de violência física e comportamento controlador. Zverev negou as alegações, e uma investigação da ATP conduzida por investigadores independentes terceirizados informou posteriormente que não havia provas suficientes para confirmar as acusações publicadas.

A ATP posteriormente nomeou um diretor de proteção e lançou um programa destinado a estabelecer uma estrutura global para prevenir e responder a abusos, assédio, bullying, violência doméstica e outras condutas indevidas.

Em 2023, um tribunal alemão emitiu contra Zverev uma ordem penal e uma multa de 450.000 euros por supostos danos corporais contra outra ex-companheira, Brenda Patea. Zverev negou as acusações e contestou a ordem. O julgamento público em Berlim terminou em 2024 antes que um veredicto fosse alcançado, depois que o tribunal informou que havia ocorrido um acordo. O tribunal ressaltou que a decisão não era um veredicto sobre culpa ou inocência.

Zverev também enfrentou críticas por seu comportamento em quadra. Em 2022, recebeu uma suspensão de oito semanas da ATP, com execução condicional, depois de bater quatro vezes com sua raquete na cadeira do árbitro após uma derrota nas duplas no Aberto do México. Ele pediu desculpas posteriormente, e a suspensão não foi ativada porque evitou uma nova punição por comportamento semelhante nos 12 meses seguintes.

Ele também foi vaiado por espectadores em torneios na Austrália e em Munique, em 2025, por causa das alegações. Zverev manteve suas negativas, enquanto suas atuações em 2026 fizeram dele o líder estatístico claro do tênis masculino. Sua ascensão ao número um, portanto, combina uma temporada esportiva histórica com o desconforto não resolvido em torno de seu histórico público.

Fontes: BBC Sport.